sábado, 19 de setembro de 2009

Eu


Me chamo Vivi, tenho 31 anos e a mala cheia de sonhos por realizar. A minha vida tem sido assim, como um palco de uma peça que não acaba nunca e foge dos contornos que tento, em vão, impor. Por vezes, deixo mesmo que se escape à censura da minha vontade. Para quê lutar contra o inevitável?
Me chamo Vivi, tenho 31 anos e toda uma vida à minha frente que, às vezes, me esqueço de pintar. Quantas vezes não me abandono a mais um dia de ociosidade enquanto a oportunidade me sussurra ao ouvido palavras que me tentam mas não prendem?
Me chamo Vivi, tenho 31 anos e já chorei muitas vezes por entre a orla dos meus sorrisos. Já fiz do mar conselheiro e do vento confidente por entre os percalços de uma vida que não sei domar e de um tempo que me escapa por entre os dedos.
Me chamo Vivi, tenho 31 anos e já vivi dias de sol e tempestade, de calor e de sombra, de alegria e desilusão. Já nasci uma infinidade de dias e morri mais de mil noites somente para me relançar em um ciclo que se repete a cada alvorecer.
Me chamo Eu, vivi todos os meus anos e ainda construo castelos na areia para que o mar os derrube na fúria das suas marés. Sonho porque é tão imprescindível para mim quanto o ar que respiro. Porque é deste meu sonhar que sobrevivo. Porque sem o sonho nada faz sentido e, porque sonhar implica riscos e muita coragem. Aos poucos venço os meus medos e tento avançar, traçar o meu rumo e chegar até você.

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